
Estátua de São José é colocada no Bixopá (textos e fotos: Melquíades Júnior)
Por lógica ou ironia, uma das regiões que mais sofrem com a falta d'água no Ceará, a comunidade Bixopá, em Limoeiro, tem em São José o padroeiro da causa mais difícil: água na torneira. No chão não falta - logo atrás do paredão de terra há um pequeno açude, hoje cheio devido a chuva. Do alto, garotos observam a chegada da estátua do "santo dos sertanejos" logo em frente. Eles se colocam entre o presente e o futuro. Lá choveu no dia de São José - 19 de março -, felizmente.
O Céu nos prepara

Garotos observam o céu - distrito de Bixopá, Limoeiro (Textos e fotos: Melquíades Júnior)
Se chove ou não é sempre uma dúvida. Tem vez de nuvem imensa e escura de tão carregada passar por cima das cabeças dos expectadores (de expectativa mesmo) e chover em outras paragens. Ainda no Bixopá conferir o céu “se fechando” é entender a razão da fé. Quem é criança, só tem que aguardar o “toró” d’água, “pra descer de bicicleta e tudo da ribanceira lamacenta”.
Chuva com sol

(Criança toma banho na calçada em frente a casa - Limoeiro - (texto e foto: Melquíades Júnior)
Depois de aperrear a mãe para tomar banho de chuva (chora para não ir ao banheiro), Yasmim, a mais nova de minhas sobrinhas, bate os dentes de cima com os de baixo, na frieza da calçada molhada, esquentando mais um momento sublime de ser criança. Bom é brincar na terra fria.
A vaca foge do brejo

(Gado caminha na rodovia CE 377, entre Limoeiro e Quixeré (textos e fotos: Melquíades Júnior)
Quando a chuva é pra valer, muito cuidado nas estradas. Que a vaca foge do brejo em busca do asfalto “quente”. Nessa hora, a rodovia é dela, e qualquer motorista é um mero passageiro.
Para não parar

Poça d'água se forma no quintal de casa (textos e fotos: Melquíades Júnior)
De maduro, o limão cai justo nos últimos momentos de chuva. Talvez para prorrogar o banho e mergulhar - mesmo que com água só na “cintura” - nessa frieza.
Suspiros de vida

Poça de lama no quintal de casa (textos e fotos: Melquíades Júnior)
A folha que cai é morta, mas colorida. A lama parada reflete o aceno das que ficam em cima, plantadas, sombreando, alimentando e aguardando o momento e a vez dos também últimos suspiros de vida.





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