“É agora, José! Tem que ser agora.” Tomei banho de chuva no dia de São José. Desculpe a redundância, mas cheguei em casa completamente molhado. Não queria, ou queria (é que passei a querer), mas fui. Vaguei sem rumo, sem lenço e, felizmente, sem documento pelas ruas de Limoeiro. Tarde da noite e eu lá, ocupando o meio da calçamentada, de pingo em pingo, saboreando uma neblina de chuva que chegava sem jeito. A cena por si só era poética, mas tinha poesia nenhuma. Eu não pensava. Só pensava em tomar banho de chuva, assim, andando calmamente... Quem viu de longe pensou que “esse aí se rendeu, pra quê correr se, além de molhado, vai chegar cansado?” E naquela compassada caminhada, pra quê pensar se, além de molhado, vou chegar preocupado? Os pingos eram sortidos, mas tão distantes que não pareciam me banhar tão cedo. Talvez foi por isso que decidi enfrentar a neblina de quase meia noite, que parecia ser somente minha.
Vinte minutos de caminhada e fez-se a chuva, agora pra valer. Não tinha por onde correr. Literalmente, quem tá na chuva... Vaguei por ruas, avenidas, calçadas – mas fugi das biqueiras. A cachorrada latia e, eu, só no pensamento, cantava e dançava “singing in the rain”, o clássico do cinema hollywoodyano pra sertanejo ver. Para quem viu, parecia um louco, um bêbado. Mas chegou uma hora em que éramos somente eu e a chuva. Ela chiava, meu coração batuvaca. Mão nos bolsos da bermuda, camisa ensopada, andar compassado, eu só ia pra não sei onde, rindo com o maior prazer. De cima de mim tudo era festa, dançando e cantando com a chuva enquanto ela pôde ser...
Ps.: A câmera não é à prova d’água, mas assim que cheguei em casa tentei registrar um pedaço desse momento, nem que fosse um pedaço de calçada molhada. Para eternizar o brilho da chuva.




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