Estudantes de Limoeiro encenam Lampião e Maria Bonita (Texto e foto: Melquíades Júnior)
Parafraseando uma antiga propaganda de jornal, “para participar da campanha de extinção das antas é necessário estudar”. A escola pública tem todos os problemas que, infelizmente, o termo “público” já sugere. Falta giz (muitas estão longe de usar pincel), falta papel, mas, principalmente, falta professor competente. Porque falta competência para pagar bem o professor. Mas nem tudo está perdido. Estão iluminando o fim do túnel.
A criançada entra numa série sem saber ler e “passa” para outra sem saber escrever. A culpa já é mesmo quase toda dos governantes, mas e o que o professor tem de culpa nisso? A parte que lhe cabe, ou seja, transmitir o conhecimento aos alunos. Mas ser professor é, além de passar informações, cuidar do dicente, que naquele momento quer ver a escola como sua “segunda casa”. Nem sempre é assim. Vá perguntar que tem menino a dizer que a escola pode ser a pior casa, quando não se resume a uma cozinha, em que o melhor da aula é o seu intervalo.
Pois driblando todas as carências escolares, os problemas que os alunos passam dentro de casa, que os educadores podem fazer a diferença. Em Russas, uma professora deprimida com os alunos desinteressados pela biblioteca decidiu vestir, literalmente, os personagens. Depois de fazer a graça, chamou a atenção dos alunos para conhecer as estórias naquela sala lotada de livros. Por isso foi premiada em Brasília.
Em Morada Nova, o programa Caravana da Leitura incentiva a meninada para os livros à Monteiro Lobato. Não basta ler, tem que contar em voz alta, fazer resuminho depois e, tcha-ram, apresentar para todo mundo, como se fosse a própria chapeuzinho vermelho – e até mesmo o lobo mau! E as narrativas locais também ganham espaço. Estudantes do Ensino Fundamental representam o temido e agourento carcará. Quem não ouvir falar?
E para finalizar, despertou minha atenção o trabalho desenvolvido nas escolas públicas municipais de Limoeiro do Norte. A meninada participa de grupos de teatro, dança, bandinha de música, oficinas de pintura em tela, coral... Um monte de atividades lúdicas que auxiliam – quando não protagonizam - o aprendizado. E um dos principais culpados disso é o professor José Lima, capaz de ver pelos olhos dos estudantes. Pelo que vi de empolgação da meninada, a coisa parece que vem dando certo.
Mas nem tudo está ganho. De nada adianta criar grupos artísticos, realizar feiras de ciências, grupos de leitura, se não houver, além de uma correta aplicação, continuidade dessas ações. Caso contrário, teremos políticas públicas educacionais apenas voltadas para eventos, que, como ventos, vão-se. O menino vai somente decorar a fala da apresentação da feira de ciências, a menina só saberá representar a fala de sua personagem, o menino só tocará os mesmos acordes, a menina só conhecerá a estória que a professora insistiu para ler e a educação se resumirá ao número de matriculados no ensino público. Respeitável público, respeitemos a boa educação.




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