
A evolução é algo que também se conquista pedalando. Historicamente conhecida como “Cidade das Bicicletas”, Limoeiro do Norte teme que seu título se perca no tempo - com a cidade tragada pelos carros e motos - e busca reafirmar a prática habitual do ciclismo pela população. Tenta mudar o quadro de queda no número de bicicletas, o desrespeito ao ciclista no trânsito e a supervalorização de status causada pelos automóveis.
O município tem cerca de 55 mil habitantes e, dizem, aproximadamente 50 mil bicicletas. É quase uma para cada cidadão. São estimativas, já que não há números oficiais. Mas quem anda uma manhã pelas ruas da cidade vê bicicleta em todo canto, em diversas atividades. Parece uma corrida de São Silvestre desorganizada, toda sob duas rodas. É o publicitário popular Zé de Nêga com seu carrinho de som movido a pedaladas, o vendedor de milho com um isopor na garupa, o rapaz que trabalha para Raimundo Aleijado fretando a compra do freguês, o menino que vai para escola, pai guiando filho na “cadeirinha” pelas ruas passeáveis ou mesmo a idosa senhora pedalando “devagar e sempre”, para “articular os ossos”.
Pedalar é preciso. Se parar, cai mesmo, esclarece a ‘física do equilíbrio’. A engenhoca de mais de 200 anos resiste ao tempo nos espaços rurais e urbanos brasileiros, mas a facilidade na compra de motos e carros, bem como a vida corrida em que o tempo moderno “urge” têm aposentado a movida à propulsão humana de duas rodas. O intenso tráfego de carros e motos leva a banguela, gangorra ou camelo para o acostamento e os riscos de um trânsito em que o motor tem mais vez do que o “perna para quê te quero”.
“É um negócio assim” - tenta explicar uma senhora ciclista, sobre o que estão fazendo com as bicicletas em Limoeiro. “É pra gente juntar todo mundo para pedalar, ter saúde e mostrar que o ciclista tem vez na rua”, assegura dona Rocilda Remígio, de 70 anos. Ela fala do passeio ciclístico realizado todas as quintas-feiras, à noite, pelas ruas principais do Município. Todas as idades e faixas de renda se igualam quando andam de bicicleta.
O passeio é apenas uma das diversas idéias que pretende realizar o “sonhador” Gilmar Chaves, secretário municipal de cultura. Mesmo sem querer ser pai de obra nenhuma, vem do escritor, poeta e historiador a política para o uso da bicicleta. “Para mim, depois da roda, a bicicleta é o segundo maior invento do mundo”, afirma Gilmar, empenhado na criação do Museu da Bicicleta, em Limoeiro do Norte, que pretende ser referência para a América Latina.
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