Blog do Mel - Entre e acomode-se


24/02/2006


Em tempo de carnaval...

Em um dia, é carnaval. Depois, será questão de horas, minutos... Segundo rege a tradição, o período é de folias, descanso, prazer. Mesmo que a folia não seja exatamente a momina, o certo é que todo mundo (ou quase - para inventar a exceção) faz alguma coisa diferente e, por isso mesmo, especial: os religiosos vão orar; os ditos “normais” –nem anjos nem demômios - vão fazer hora, brincar; e até a turma “in”, do contra, vai poetizar o anti-carnaval de massa, embora tão adoradores de Baco quanto os carnavalescos.

E eu... Bem, eu? Eu não sei onde fico, se é que preciso estar. Nada contra quem brinca; também nada a favor de quem não; mas ainda estou numa dúvida tremenda entre o nerdismo intelectual acalentador de meus neurônios briguentos (por paz), que me acompanha em quase todos os dias dos meses de todo ano; ou me entregar à folia monina-carnavalesca de praias, mela-melas, de baforadas etílicas ao som dos hits “boladões”; ou mesmo às marchinhas aos modos da pseudo-saudosista “o teu cabelo não nega, mulata...”.

Nas leituras e escrituras laborais, inquieto. E não é de hoje. É de ontem, quando faltavam dois dias para o carnaval. É como se o carnaval imperasse mudança. Se boa, não sei. Se melhor, pior ainda. O fato (e fato aqui tem sabor de opinião) é que me parece que preciso sair da rotina.

Não sendo religioso – no sentido fundamentalista do termo – não quero um retiro espiritual. Deus me perdoe, mas estou mais em vias de retiros carnais... a pedidos da alma. Rendi-me ao carnaval? Não sei. Ou sei, pois somente essa reflexão-a-lugar-nenhum já revela a força da data.

“Já sei!”, digo, mesmo sem saber. “Vou é atualizar minhas leituras e escrituras”. Seria jogar a toalha em rendimento à rotina? Talvez, para não dizer que “sim’. Por um lado, a idéia de ficar e escrever algumas crônicas, arranhar algum conto e... Não, reportagens não. Se tem uma coisa que já decidi foi que não quero escrever matérias até quarta-feira de cinzas. Mas umas boas crônicas e contos poderiam reavivar o sonho de trabalhos exclusivamente literários.

“Nããão!”

Camila Ramos e Marciana Chaves são duas amigas minhas que não se conhecem, mas parecem conhecer-me o suficiente (não necessita esforço) para intimarem-me à primeira praia ou o que quer que tenha carnaval no meio. Dizem que preciso desopilar do nerdismo. Marciana vai para as praias de Beberibe; Camila recebe primas paulistas em sua terrinhas mineira, maneira. Eu estou sem receber nada, muito menos, e principalmente, dinheiro. Mas não vou entrar na falsa questão de que a falta de dinheiro me repele carnaval.

E sem querer ser vencido pela rotina, tampouco pela diferença, só uma coisa me pega: a contradição. Mas essa doce contradição lembra carnaval... De encaixes não produtivos, mas bem resolvidos; de um rápido esquecimento do “quem você pensa que é?” com “ sabe com quem está falando?”; de pierrôs e colombinas; brancos, pretos, verdes, rosas e cravos. E me veio a idéia de unir útil e agradável: carnavalizar nas letras e, ao mesmo tempo, ter, da carne, aval para, literalmente, possuí-la sublime e avassalador, duelando máscaras com a primeira colombina à minha frente (e eu na frente dela), pois, queiramos ou não, já é carnaval...

Escrito por Melquiades Junior às 11h19
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