Uma diversidade de saberes e fazeres, um retrato material e imaterial da cultura popular. Se antes somente se via, hoje podemos dizer que o Vale do Jaguaribe sente e respira cultura. Os valores da cultura popular estavam enraizados e só isso. Agora, essa raiz já chegou à semente...Que brota. Enquanto alguns pensam que a tradição popular se reserva ao antigo, o fato é que a cultura tradicional é uma verdadeira miscelânea entre o cultural e o pós-moderno. De início, parecia para estranho, para muitos, nomes como Maracatu, Dona Gerta, Fandango (é xilito?!), mas o estranho se torna íntimo, familiar, quando as manifestações folclóricas têm início. Adorei o balé do maracanaú”, disse errônea e engraçadamente uma espectadora da primeira noite do congresso de folclore. A citação me foi dada pelo poeta Gilmar chaves, também diretor do museu da imagem e do som. Sua autora tentava se referir ao maracatu – primeira vez que via. O maracatu Reis de Paus brilhou com o negro, foi ousado e ovacinado. Não mais que de repente, flagra-se o sagrado curvando-se ao profano, o religioso ao pagão, o erudito ao popular. Ontem, na apresentação da dança do Coco(foto), dos pescadores da praia do Iguape, o momento epifânico (e por isso mesmo revelador da catarse cultural do povo da terrinha do Limão) veio quando os espectadores, em especial os jovens (sim, os jovens) subiram ao palco e dançaram junto aos senhores e senhoras pescadoras de peixe e disseminadores da secular dança do coco. Percebi que, sim, é possível, pensar em dança de roda, cantigas, lendas folclóricas, pois este valor cultural ainda está vivo. O povo interagiu, identificou-se. Desde a semana passada venho fazendo entrevistas, fotos, e um apanhado de pesquisas para este grande encontro cultural. Da fantástica entrevista com a folclorista Lourdes Macena (não foi necessário mais de meia hora para chama-la de Lourdinha), aos diálogos espontâneos e “desplanejados” com grandes intelectuais como Osvald Barroso e Osvaldo Trigueira, é indiscutível o quanto venho aprendendo, vivenciando. Como o repórter que se reportou para o mundo da magia folclórica, que de real tem tudo. Fazemos, temos, mantemos cultura. É verdade, eu estou sentindo isso.




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