
Ô Maria pegue o jegue/bote as cangaia ligeiro/põe os trem no caçoá e vamo pra limoeiro...
Não falta mais nada. Junho chegou e, com ele, os festivais populares, foguedos das quadrilhas juninas. Tem comidas típicas, muito forró e gingado moleque reverberizado ao redor das fogueiras de Santo Antonio, São Pedro e São João.
Não demorei a sentir o clima, bastou entrar o mês. Semana passada, mal chego em limoeiro dou-me de cara com um convite a “Vossa Senhoria” (hummm, tô podendo) para assistir à estréia da quadrilha Luar da Minha Terra, a mesma que coloquei na capa do Diário em recente matéria.
Com um certo atraso, a quadrilha chegou triunfante, ostentando cores e gingados antes mesmo de entrar na quadra da Escola Normal, lá pelas 23h do sábado. O cenário, que vinha sendo carregado, já evidenciava as evoluções da “quadrilha moderna”. Particularmente, estava ansioso para conhecer o que havia sido preparado por vários meses, conforme verifiquei nos ensaios para a reportagem. Vi e gostei. Tudo bem que foram observados erros na harmonia, no figurino que se desprendia do corpo e, não quero ser precipitado, no próprio estilo do figurino. Não me acho tradicional-fundamentalista, tampouco acho que o patrimônio imaterial tem que ser imutável, mas fiquei atônito com certa “ousadia” nas vestes dos brincantes. Nunca vi vestido de quadrilha tipo “tomara que caia”. Talvez não seja problema nenhum - desde que não caia mesmo -, mas me pareceu que até os vestidos têm cada vez menos chita. Os homens deixaram um pouco o blusão listrado e de botões para um despojado mais crochê e calça corsária.
Detalhes à parte, uma coisa parece não ter mudado, se não se aperfeiçoado: o espírito junino invocado pelos quadrilheiros, que externam paixão, fervor, cantando em som tonitruante cada verso da música, os gonzaguianos “hinos juninos”. O suor descendo, o cansaço disfarçado, até lágrimas nos olhos... De um nervosismo misturado com ansiedade, concentração, e transformado na paixão pelo que de mais belo o nosso povo tem transmitido de geração para geração: a Cultura. Anarriê!