
Como já diz o Cidade Negra, todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite... Toni Garrido só não esperava que fosse tanta coisa. No show do grupo no aterro da praia de Iracema, garrafas, pedras e pancadaria decidiram voar praia a dentro.
Num momento de surto, eu, que passo o sábado em casa ou no máximo vou ao cinema, decidi descambar para la praia...
Após meia hora de espera pelo busão e mais meia hora até chegar lá – em dias normais seriam 8 minutos - encontro amigos e a multidão à espera do grande atração do Pão Music.
Pois bem, um show que se pretende de graça já prenuncia um público um tanto eclético. Para variar, aquela minoria arroaceira (essa gíria existe? Então inventei) começa a confusão. Não mais que de repente, uma roda enorme, mas enorme mesmo, se forma no meio da praia. Era a multidão tentando sair do bolo da pancadaria. O Cidade pára o show. Toni faz um discurso daqueles bem da paz, o povo aplaude...retoma a música. Não dura 15 minutos. Enquanto Garrido cantava ”como um girassol, como um girassol...amarelo...”, de vermelho a roxo iam ficando os rostos de algumas pessoas, conseqüência das garrafas voadoras. Garrafas perdidas - ninguém sabia de onde vieram...nem para onde iriam, até cair de cheio na cabeça da galera...e da polícia. Esta, mesmo sem saber a origem do objeto voador, sai dando porrada em toda direção. Eram, portanto, cacetetes e garrafas voadoras...
Mais uma pausa no show
Mais um “calmaê, minoria”
Música volta, mas não dura 3 minutos. “O erê” pára na metade, pobre moleque.
E polícia corre atrás de moleque, vagabundo e “gente”.
Levantei as mãos pra cima. Na primeira vez foi o cantor que pediu – cantava “Perto de Deus”. Mãos pra lá e pra cá...como de praxi. Na segunda vez, foi para não ter qualquer problema com a polícia, já que a confusão aparece de onde a gente menos espera. Uma pessoa que estava ao meu lado e aparentemente tão indignada quanto eu seria a protagonista da próxima confusão. Mulher brigando era um “arranhamento” de cara só...e cabelo nem se fala...
Bem, tirando tudo isso (mas tudo isso mesmo), o show foi bom. Performático, Cidade Negra tinha a batida perfeita, levantando todo mundo, direto da baixada fluminense, de onde surgiram.
Pelo resto da noite, helicóptero da polícia dando rajadas para intimidar ninguém, competindo o espaço aéreo com as mesmas garrafas e cacetetes...foi tudo muito lindo...
É... O Haiti não é aqui, mas o Iraque não está tão longe...




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