Chova e não faça sol...
Povo, onde estão as chuvas? De fortal a Limo impera o calor...são só duas paradas para o inferno. Eu, enquanto sertanejo nato, tenho a maior das catarses ao sentir os primeiros cheirinhos de chuva, o chamado "mormaço"... De lembrar das biqueiras da infancia..nas calçadas da vizinhança... É a neve de natal do nordestino.
No interior, as chuvas trazem mais benefícios que malefícios... mais alegria que tristeza. Basta ver o brilho nos olhos do agricultor da tão açoitada agricultura familiar, que aguarda o inverno (chamamos assim, mas são, na verdade, as "chuvas de verão"). esperançosos de boa colheita de grãos. Nesses dias, infelizmente no máximo que se está colhendo são as esperanças...estas que não morrem tão cedo...mas morrem.
E eu continuo no calor infernal...perdendo as calorias que não queria. Aguardando definitivamente que comecem as chuvas...se não para boa fartura (o que seria uma pena a ausencia) pelo menos para resfriar este tórrido solo árido... que assim refrie nossas estressadas cabeças, assim que São Pedro começar a chorar...o choro de alegria..para nossa fartura. Chuvas, por favor! Ou meu cérebro derrete... e isso não é bom...
A seguir, o lirismo daquele sertanejo que, nas palavras de Euclides de Cunha, é antes de tudo um forte...
Canção Nordestina
Composição: Geraldo Vandré
Que sol quente que tristeza
que foi feito da beleza
tão bonita de se olhar
que é de Deus da Natureza
se esqueceram concerteza
da gente deste lugar
Olhe o padre com a vela na mão
tá chamando prá rezar
menino de pé no chão
já não sabe nem chorar
reza uma reza cumprida
p'ra ver se o céu saberá.
Mas a chuva não vem não
e esta dor no coração
Aí quando é que vai se acabar,
quando é que vai se acabar?





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